Série Gestão de Pessoas
A nova NR‑1 vem aí e com ela várias exigências para as empresas implementem, exigindo assim um Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) ampliado, incluindo riscos psicossociais, com prazos de adaptação. Fique atento pois a não conformidade vai expor as empresas a autuações, multas e passivos trabalhistas. A adequação vai exigir uma vasta documentação, a participação dos trabalhadores e medidas comprováveis de controle de riscos. Ficou preocupado? Pois chegamos agora com um super conteúdo para lhe auxiliar.
#PodCastGC 216: As novas exigências trabalhistas com a NR-1
A NR‑1 foi atualizada para reforçar a gestão integrada de riscos ocupacionais, tornando obrigatório o inventário contínuo de perigos dentro das empresas, a priorização de medidas preventivas e a inclusão expressa dos riscos psicossociais no PGR. A norma funciona como "guarda‑chuva" para as demais NRs e exige maior rastreabilidade de ações e treinamentos.
Pontos críticos
Riscos psicossociais
Inclusão obrigatória dos riscos psicossociais (estresse, assédio, sobrecarga, falta de autonomia).
Digitalização
Digitalização e rastreabilidade de documentos, treinamentos e canais de denúncia.
Participação ativa
Participação ativa dos trabalhadores no processo de identificação e controle de riscos.
Integração
Integração com PCMSO, NR‑9 - avaliação e controle de riscos ambientais (físicos, químicos, biológicos) e NR‑17 - estabelece os parâmetros para a ergonomia no trabalho, e atenção a terceirizados e emergências.
O prazo educativo começou em 2025 e a fiscalização com aplicação de multas está prevista para 2026.
Ações preventivas a serem adotadas
01
Mapear e avaliar riscos
Mapear e avaliar riscos (físicos, químicos, ergonômicos e psicossociais) e atualizar o PGR.
02
Formalizar evidências
Formalizar evidências: atas, laudos, registros de treinamentos e relatórios de investigação de incidentes.
03
Implementar canais de denúncia
Implementar canais de denúncia e proteção ao denunciante com registro e tratamento das ocorrências.
04
Capacitar líderes e trabalhadores
Capacitar líderes e trabalhadores com treinamentos documentados e periódicos.
05
Segregar responsabilidades
Segregar responsabilidades entre SST – Saúde e Segurança do Trabalho, RH – Recursos Humanos e jurídico; envolver terceirizados nas avaliações.
Essas medidas devem ser contínuas e documentadas desde a fase educativa até a vigência plena.
Sugestão de cronograma de implementação
Riscos e penalidades
Riscos
Aumento de passivos trabalhistas, danos reputacionais, queda de produtividade e maior rotatividade.
Penalidades
Autuações administrativas, multas previstas na legislação trabalhista e possibilidade de agravamento em caso de acidentes graves ou reincidência. A fiscalização terá poder para aplicar multas a partir do término do prazo de adaptação, e a falta de documentação é um dos principais motivos de autuação.
Recomendações práticas
  • Inicie um diagnóstico completo agora. É importante ter uma empresa especializada neste momento para realizar todos os laudos e estudos.
  • Documente tudo (atas, laudos, treinamentos, canais de denúncia).
  • Contrate consultoria especializada em SST e jurídico trabalhista para validar o PGR e as evidências.
  • Envolva lideranças e trabalhadores para garantir eficácia e defesa em fiscalizações.
Passo a passo para implementar a NR-1 e evitar problemas trabalhistas
A ideia é sair do discurso e entrar na prática: transformar a NR-1 em rotinas visíveis, rastreáveis e úteis para quem trabalha. O foco é documentar cada decisão e tornar os riscos gerenciáveis — sem depender de "boas intenções".
Fase 1 — Diagnóstico e planejamento
  • Nomear responsáveis: Defina um líder de SST e um ponto focal no RH/Jurídico; formalize via ordem de serviço.
  • Mapear atividades e locais: Levante processos, postos de trabalho, turnos, terceirizados e públicos vulneráveis (gestantes, aprendizes, PCD).
  • Inventariar perigos e avaliar riscos (PGR): Liste riscos físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e psicossociais; atribua probabilidade, severidade e níveis de controle.
  • Definir plano de ação com prazos e metas: Para cada risco relevante, estabeleça medidas de eliminação, engenharia, administrativas e EPI, com responsável e prazo.
  • Aprovar e formalizar o PGR: Registre versão, assinatura dos responsáveis e ata de ciência da direção; publique internamente.
Fase 2 — Controles e infraestrutura
  • Medidas de engenharia: Adeque máquinas, ventilação, iluminação, enclausuramento de ruído e proteção coletiva; guarde laudos e ARTs.
  • Procedimentos operacionais padronizados (POPs): Escreva instruções claras para tarefas críticas (bloqueio e etiquetagem, trabalho em altura, química, ergonomia).
  • Canais de denúncia e gestão de riscos psicossociais: Implante canal confidencial, protocolo de apuração e medidas de proteção ao denunciante; inclua clima, carga e assédio no PGR.
  • Integração com PCMSO e emergências: Alinhe SST e médico do trabalho para exames, aptidão e plano de resposta a incidentes; treine brigada e evacuação.
Fase 3 — Capacitação e engajamento
  • Matriz de treinamento por função: Liste competências obrigatórias por cargo (NRs aplicáveis, POPs, primeiros socorros, ergonomia, liderança segura).
  • Treinamentos documentados e reciclados: Registre presença, conteúdo, instrutor e avaliação; estabeleça reciclagem por periodicidade ou mudança de risco.
  • Integração de novos e terceiros: Exija integração antes do início das atividades e evidências de capacitação de fornecedores; mantenha dossiê de contratados.
  • Participação dos trabalhadores: Realize diálogos de segurança, comitês e inspeções com trabalhadores; registre decisões e ações decorrentes.
Documentação e monitoramento contínuo
Fase 4 — Documentação e rastreabilidade
  • Arquitetura documental: PGR, inventário de riscos, plano de ação, POPs, laudos/ART, atas, ordens de serviço, relatórios de incidentes, treinamentos, PCMSO.
  • Controle de versões e guarda digital: Use repositório com controle de acesso, trilha de auditoria e backup; mantenha documentos atualizados e assinados.
  • Registros de campo: Checklists de inspeção, medições, fotos de correções, evidências de entrega de EPC/EPI e de uso efetivo.
  • Indicadores e painéis: Taxa de fechamento de ações, incidentes, desvios críticos, participação em treinamentos, tempo de resposta a denúncias.
Fase 5 — Monitoramento, auditoria e melhoria contínua
  • Inspeções periódicas e verificação de eficácia: Audite se a medida implantada reduz o risco; se não, eleve o nível de controle (hierarquia de controles).
  • Gestão de mudanças: Reavalie riscos em novas máquinas, processos, materiais ou layout; atualize PGR e POPs antes da mudança.
  • Investigação de incidentes e lições aprendidas: Use metodologia (árvore de causas, 5 porquês); registre causas raiz e ações preventivas; compartilhe aprendizado.
  • Revisões de direção: Trimestralmente, apresente à alta gestão resultados, não conformidades, plano de investimento e decisões com prazos.
Tabela de responsabilidades essenciais

Dica: mantenha um "dossiê de conformidade NR-1" por unidade — é o primeiro pacote que a fiscalização pede.
Riscos de não conformidade e possíveis penalidades
Riscos práticos
  • Autuações por ausência de PGR, inventário, treinamentos e evidências.
  • Ações trabalhistas por assédio, ergonomia, acidentes e doenças ocupacionais.
  • Interdições e embargos em áreas críticas, paralisação de atividades e perdas financeiras.
  • Danos reputacionais e rotatividade em ambientes inseguros ou tóxicos.
Penalidades usuais
  • Multas administrativas graduadas por gravidade e reincidência.
  • Agravamento de responsabilidade em casos com vítimas ou descumprimento reiterado.
  • Termos de ajuste e planos compulsórios com prazos e fiscalização intensiva.
Checklist rápido para começar esta semana
Diagnóstico inicial
Levantamento de riscos e avaliação preliminar com fotos e entrevistas.
Base documental mínima
PGR, inventário, plano de ação e três POPs críticos prontos e publicados.
Treinamento essencial
Integração de segurança, ergonomia básica e procedimentos de emergência documentados.
Canal e protocolo de denúncias
Política, fluxo de apuração, proteção ao denunciante e comunicação interna.
Rotina de inspeção
Agenda quinzenal com checklist e fechamento de desvios prioritários.
Suporte especializado
Conte com profissionais especializados: Um contador e uma consultoria experiente ajudam a integrar SST, folha, documentos e governança. Equipes como a GC Gestão Contábil podem coordenar prazos, registros e auditorias internas, trabalhando em conjunto com engenheiros de segurança e médicos do trabalho para fechar as lacunas antes da fiscalização.
Conclusão
Você pode estar se perguntando: Eu tenho uma micro e pequena empresa, mesmo assim vou ter que fazer tudo isso para não ter problema trabalhista? A resposta é sim. Nos últimos anos a preocupação com o impacto de risco psicossociais vem chamando muito a atenção do governo, que está com um custo muito elevado para tratar trabalhadores doentes por essas causas, sendo assim, as regras de saúde e segurança do trabalho não estão distinguindo quem é pequeno ou quem é grande, valendo e sendo aplicada a todas as empresas. Neste caso, se você tem vínculo empregatício, ou seja, se você é empregador, mesmo que seja apenas de um único empregado, vai ter que se cercar, e gastar mais, para implementar essas novas regras, ou seu bolso irá sofrer com inúmeras multas, fruto de fiscalizações infindáveis na sua empresa.
Leia mais sobre o assunto nos PodCast GC:
  • #PodCastGC 115: Impactos das regras de SST na vida das empresas
  • #PodCastGC 126: Estabilidade de funcionário: Motivos e situações que o empresário deve ficar atento
  • #PodCastGC 147: Rescisão indireta de contrato de trabalho – Motivos
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